Um paralelo entre Sorveterias e Gestão Analítica

Ainda me lembro de uma ótima sorveteria popular da antiga cidade onde eu morava, que eu visitava frequentemente para pedir meu item preferido do cardápio: “Sangue de Dragão”. Uma perfeita combinação de algumas bolas de sorvete de sabores muito bem combinados, uma bela cobertura de morango não muito doce e pedaços de frutas em porções equilibradas.  Desde então, e depois que me mudei de cidade, não encontrei mais uma opção tão bem equilibrada em tamanho e sabor. Todas as opções me pareciam ou sorvete demais ou complementos de menos.

Houve um tempo em que as sorveterias forneciam somente opções simples (variando somente na quantidade) ou opções de cardápio pré-definidas e nem sempre com alguma de seu total agrado. Preparar algo a seu pedido não era tão comum. Então, ou você se contentava com simples bolas de sorvete ou optava por uma das opções do menu. Era o máximo de poder de escolha que lhe davam.

Aí veio as sorveterias self-service. Um paraíso para os apreciadores de montagens de opções diversificadas, combinando sabores, coberturas, complementos, frutas, doces, amêndoas, caldas e por aí vai. Agora sim, a decisão foi passada para as mãos do cliente.

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O modelo de negócios de alimentos self-service (seja comida, sorvete, alimentos naturais, sorvetes de iogurte, entre outros) revolucionou o mercado. Ele mantem o produto e muitos dos processos produtivos, mas reinventa a relação com o cliente, dando-lhe “o poder”. Algo que poderíamos chamar de “Customer empowerment”.

Mas há de se atentar que self-service não significa faça-você-mesmo, mas sim sirva-se-você-mesmo. É preciso que o preparo e a disponibilização seja pensada para que esta experiência do cliente seja agradável.

A mesma revolução na experiência de consumo pode ser levado para a área de Inteligência Anaítica e Análise de dados. Antes, as tecnologias e as práticas realizadas por profissionais altamente técnicos e especializados eram complexas e inacessíveis para o usuário comum e entregavam um “cardápio” de opções de análises prontas, esperando que fossem perfeitamente adequadas às necessidades de todos os usuários, mesmo sem conhece-los a fundo, e sem dar a eles o poder de evoluir as análises conforme suas próprias necessidades, que são dinâmicas e costumam surgir em tempo real, nem sempre previstas no momento de desenvolvimento.

Agora, é possível coletar, processar e disponibilizar conjuntos de dados e ferramentas de análise que permitam ao usuário realizar suas próprias análises e responder suas próprias perguntas. Veja, não é o caso de ensinar os usuários a desenvolverem na tecnologia, mas de construir a solução tecnológica de forma que se possa retirar a complexidade técnica característica, permitindo ao usuário uma experiência real de exploração da informação para uma melhor gestão.

Isso é dar poder ao usuário de ferramentas de Inteligência Analítica e Análise de dados. Fazer o “trabalho pesado” previamente (leia-se: extrair dados brutos, organizá-los para a função de análise, e disponibilizá-los por meio de ferramentas intuitivas e fáceis de usar), para que os adequados componentes de análise estejam disponíveis para o usuário construir suas próprias análises, ao invés de somente utilizar análises prontas e “engessadas”.  Até porque o motivo principal de tudo isso é melhorar a gestão e a tomada de decisão, e não forçar o usuário a virar um cientista de dados. Essa é a verdadeira Gestão Analítica.

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