Por que eu deveria me preocupar com a entrada do e-commerce no varejo físico

Imagino que vocês devem se lembrar da época (não tão distante) em que o comércio digital começou a ficar forte, certo? Várias lojas do varejo tiveram que se adaptar aos novos consumidores e algumas marcas, inclusive, utilizavam só a internet para realizar suas vendas, sem espaço físico.

Agora, pouco tempo depois do boom do e-commerce, está acontecendo o contrário: várias lojas online estão passando a vender também em lojas físicas. No post de hoje, vamos entender mais sobre essas mudanças do mercado, que têm muito a ver com estratégias que pequenas lojas devem começar a traçar.

A era da internet

A migração das marcas para o e-commerce foi muito importante por dois motivos principais. Primeiramente, os consumidores passaram a ter mais maneiras de comprar, deixando o mercado mais competitivo devido às mudanças de hábitos. Isso abriu portas para que as pessoas tivessem mais acesso a produtos importados e a produtos mais baratos, por exemplo, e o varejo físico brasileiro precisou se sofisticar para conseguir competir com essas lojas.

Em segundo lugar, as redes de logísticas também se adaptaram a essas mudanças, trazendo bastante inovação para a área através da tecnologia. Esse tipo de ação deixa o sistema logístico mais inteligente e, consequentemente, mais barato e mais rápido, porque o trabalho é otimizado e os erros passam a ser menores. É o caso do Mercado Livre, que atualmente trabalha com um sistema integrado e tecnológico para realizar a entrega dos pedidos, agregando valor à empresa e melhorando a relação com seus clientes.

Tecnologia + knowhow

Entretanto, mesmo com o amplo potencial de venda dos sites, o varejo físico ainda se destaca em relação à representação monetária: menos de 10% do total de vendas do Brasil são realizadas através da internet. Além disso, hoje em dia os consumidores também passaram a comprar mais, fazendo com que o lucro das lojas físicas aumentasse mesmo com a diminuição do fluxo de pessoas.

Pensando nisso, grandes empresas mundiais passaram a perceber como espaços físicos podem agregar tanto na experiência do cliente quanto para benefícios próprios, como o aumento da base de dados. Não entendeu? Eu te explico.

O Alibaba, grande rede varejista da China, antes trabalhava apenas de forma digital e hoje está abrindo diversas lojas físicas. Quando questionado pelos motivos que o levaram a tomar essa decisão, o CEO, Daniel Zhang, disse que a experiência de experimentar o produto a ser comprado é uma etapa importante na jornada do consumidor, faz com que o cliente seja mais leal à marca e tenha mais segurança.

Outro fator importantíssimo dessa estratégia é a quantidade de dados e informações sobre os hábitos e preferências dos clientes que a empresa poderá tirar a partir das vendas físicas e pautar sua tomada de decisão a partir disso.

A Amazon também está traçando seu caminho através da venda presencial. Ela está utilizando a tecnologia a seu favor para montar novos modelos de venda, como é o caso da Amazon Go em Seattle: uma unidade de supermercado que não possui caixas. O cliente é monitorado por câmeras e, a partir de sistemas inteligentes, ele apenas pega os produtos que quer e automaticamente o valor da compra cai na sua conta bancária.

Loja Amazon Go

Esse tipo de inovação pode mudar totalmente os hábitos do consumidor e, consequentemente, o nicho de mercado, principalmente vindo de um grupo tão grande e com alto poder de influência.

A união entre o dinamismo e os multicanais

Esses dois exemplos possuem em comum um fator muito forte que precisa ser levado em consideração por qualquer negócio. Hoje em dia não é mais possível operar apenas em um canal, porque tanto o varejo físico quanto o digital possuem muitos benefícios para as empresas, se complementando.

O nome disso é omnichannel ou multicanal. Da mesma forma que o varejo físico precisa aprender com o e-commerce a trabalhar com diferentes públicos, produtos personalizados e diversos, relevância para o consumidor e logística inteligente, as lojas virtuais também precisam aprender sobre proximidade com o cliente e experiëncia de compra. Quem já entendeu a importância disso está bem mais a frente competitivamente.

O problema do varejo físico na verdade não é a tecnologia e a possibilidade de comprar pela internet. O que mata uma empresa desse ramo é a sua falta de capacidade de adaptação. Ainda existe a compra pelo impulso, pessoas que gostam de ver e tocar no produto, e quem prefere passar na loja para comprar do que esperar vários dias até que o produto chegue.

Mas todas essas vantagens não serão realmente vantagens se a empresa não entende que precisa trabalhar com tecnologia. Sem dados para serem analisados e sem sistemas de informação não há milagre que faça uma organização prosperar e competir de maneira saudável.

Muito além da Amazon e do Alibaba

Se você está pensando que apenas grandes grupos internacionais do varejo conseguem inovar nesse aspecto, você está redondamente enganado. Marcas brasileiras como a Natura e a Oriba (rede de vestuário masculino) já estão começando a trabalhar fisicamente no Brasil, criando mais canais de distribuição e se tornando mais relevantes.

O Westwing e a Oppa, ambas redes menores dos EUA que trabalham com a venda de produtos de decoração. também já estão presentes em lojas físicas, porque viram que o consumidor sentia a necessidade de ter uma experiência pessoal com o que iriam comprar.

Loja física Westwing

Nós da Disruptiva já fizemos um vídeo falando sobre o fisital (físico + digital). Dá uma olhadinha para saber se não tem alguma estratégia nova que você pode montar na sua empresa! E se você se interessou pelo assunto, recomendo que leia também o nosso post sobre a experiência dos clientes em franquias.

 

Agora que você já sabe a importância de unir a tecnologia com o knowhow de quem está no ramo do varejo físico, como você vai começar a pautar suas decisões para se tornar mais competitivo no mercado? Deixe aí nos comentários!

Ana Bittar

Saiu de Minas Gerais pra cursar Administração em uma ilha bonita e acabou descobrindo a Ilha do Silício. Trabalha como Customer Success na Disruptiva Franchise Intelligence e acha que SC seria melhor se os bares vendessem porção de torresmo.

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