É possível gerir bem uma franquia sendo mulher?

Se liderança hoje remete tanto a figuras femininas quanto masculinas é porque o mercado de trabalho passou – e ainda passa – por grandes mudanças estruturais. Mas, mesmo nos dias de hoje, muitas mulheres ainda são discriminadas por buscar cargos de liderança em empresas ou por se tornarem empreendedoras. Para entendermos melhor essa problemática, precisamos primeiro buscar contexto histórico.

Contexto histórico

Voltando o olhar para décadas anteriores, podemos perceber que a presença da mulher em cargos de trabalho aconteceu de forma gradativa, com a superação de vários obstáculos sociais. No começo do século XX, por exemplo, só se aceitava a presença de mulheres em postos de atividades braçais e desde que seus salários fossem menores que os dos homens.

Dois pontos foram fundamentais para permitir a ascensão feminina na área profissional: educação e políticas públicas. O aumento da presença em escolas e universidades as permitiu se capacitar mais para todas as áreas e não apenas as consideradas “femininas” (como as da área de beleza), adquirindo espaço também em postos na indústria, no comércio e, futuramente, em cargos de tomada de decisão.

Um estudo do PNAD, em 2014, mostrou que atualmente as mulheres têm mais anos de estudo do que os homens, tanto no ensino básico quanto no superior, além de serem minoria na quantidade de pessoas analfabetas. Em relação às políticas públicas, o principal fator foi a redução da taxa de fecundidade com a entrada das pílulas anticoncepcionais no mercado.

Liderança feminina no mercado de trabalho

Atualmente, o contexto é bem mais positivo do que os dos anos anteriores: temos a presença feminina em todas as áreas profissionais (incluindo as consideradas “masculinas”), uma quantidade muito menor de donas de casa e o crescimento de chefes de família mulheres. Hoje, é possível que uma mulher empreenda e alcance cargos de alto escalão em multinacionais.

Entretanto, uma coisa é fato: apesar de toda essa evolução, o caminho trilhado por elas em suas carreiras ainda enfrenta muito mais obstáculos do que o dos homens, porque a desigualdade de gênero ainda é presente – principalmente quando falamos em liderança e tomada de decisão.

Ainda há preconceito por parte de muitas organizações a respeito do valor que uma mulher possui como profissional. Prova disso são as diferenças salariais para funções idênticas e a quantidade substancial de cargos de alta hierarquia ocupados por homens. Muito estranho isso acontecer quando vimos que as mulheres vêm se preparando educacionalmente mais do que eles, não?

Isso acontece devido à Síndrome da Secretária: mulheres são sempre associadas a características como zelo e cuidado, se tornando “inadequadas” para funções de exijam mais do que isso (que, parando para pensar, podemos dizer que são maioria). Então mesmo que tenhamos um vendedor de cada gênero, por exemplo, o masculino provavelmente será mais valorizado devido ao que suas características remetem.

Falando mais especificamente de cargos de liderança (relacionando principalmente ao varejo), todo o contexto anterior pode justificar o aumento da quantidade de empreendedoras que vemos hoje. Assim como os homens, as mulheres buscam o empreendedorismo para se tornarem independentes, terem mais flexibilidade na carga de trabalho e a possibilidade de ganhar mais dinheiro.

Além disso, ser dona do seu próprio negócio as protege da desigualdade de gênero, do assédio no trabalho (também mais recorrente do que imaginamos) e aumenta suas possibilidades de ascensão profissional. O SEBRAE contou nesse post que, em 2010, as empresárias representavam 34,9% do total no estado de São Paulo.

Liderança feminina no varejo

No varejo, a situação se mostra bem parecida. O crescimento nos últimos anos também aconteceu e ter mulheres no setor varejista é ponto positivo também para a economia, não apenas para a redução das desigualdades sociais. A presença feminina como donas de lojas traz confiabilidade para os clientes, aumentando a quantidade de vendas. Além disso, muda também a forma como os negócios são geridos, visto que as estruturas e culturas organizacionais foram criadas a partir de valores masculinos e hoje estão se adaptando para elas.

Economistas afirmam que as mulheres buscam melhor planejamento e informações a respeito do setor em que estão inseridas e se qualificam mais para se tornarem mais estratégicas e montar negócios competitivos. Isso faz com que os empreendimentos geridos por elas tenham maior taxa de sobrevivência.

Sua presença não aumentou apenas entre os donos de negócios, mas também em cargos de gerentes de lojas: varejistas andam apostando muito na colocação de mulheres também para cargos de gerência, principalmente nos setores em que o público de clientes é majoritariamente feminino.

Liderança feminina no Franchising

Nas franquias também temos um contexto bem positivo: um estudo da Rizzo Franchise divulgada pela Revista Exame mostrou que 48% dos franqueados do Brasil são mulheres, e, inclusive, muitas delas possuem faturamento maior do que o das lojas geridas por pessoas do sexo masculino, podendo chegar até a 34% a mais de lucro. Ou seja, se você, mulher, ainda tem dúvidas se deveria aderir ou não a uma franquia, nós te respondemos: com a capacitação ideal, você tem tudo para fazer um negócio crescer!

Depois de todas essas informações (ufa!), a conclusão que podemos tirar é que falar sobre feminismo dentro do mercado de trabalho não só é importante para a redução das desigualdades, como também para a melhora da economia. Trazer as mulheres para o mercado de trabalho aumenta as chances de sobrevivência da sua empresa, traz diversidade e é um passo a mais para alcançarmos a equidade.

Quer alguns exemplos de mulheres na liderança no varejo brasileiro?

  • Luiza Helena Trajano, Presidente do conselho da Magazine Luiza;
  • Rachel Maia, ex-Diretora Geral da Pandora e membro do Conselhão (grupo de empresários que aconselha o presidente do Brasil);
  • Mia Stark, CEO da Gazit Brasil;
  • Andrea Alvares, Gerente de Marketing, Inovação e Sustentabilidade da Natura;
  • Flávia Bittencourt, Presidente da Sephora Brasil;
  • Isabella Wanderley, vice-presidente de negócios e novos canais digitais do Grupo Boticário;
  • Patricia Amaro, diretora de e-commerce e digital da Unilever Brasil.

(Deixe nos comentários outros exemplos de lideranças femininas para aumentarmos essa lista).

Agora temos uma missão pra você: avalie o quanto a sua empresa está realmente trabalhando para ter uma diversidade relevante de funcionários e como você pode usar a questão do gênero para melhorar seus resultados.

 

Já faz tudo isso que perguntamos? Então dá uma olhada nesse post que fizemos sobre os principais indicadores de uma loja eficaz.

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